
Ninguém nasce Branco
Toda família de Thalamus conhece a conta antes de conhecer a criança.
A Áurea não é sorteio. É herança — e herança com regra. Existem três canais de luz, e cada cor é uma combinação deles: Vermelho, Verde e Azul acendem um canal só; Amarelo, Ciano e Magenta acendem dois. Um filho só pode nascer com um canal que um dos pais tem. Dois Vermelhos fazem um Vermelho. Um Vermelho e um Verde podem fazer Vermelho, Verde — ou Amarelo, que é os dois juntos. Um Vermelho e um Azul nunca fazem um Verde. A luz não inventa canal.
É por isso que, em qualquer casa deste planeta, a cor do bebê já está escrita na parede antes de ele existir. O Sistema chama isso de Áurea Pura quando pai e mãe são da mesma cor (e cobra 49% de taxa em alguns reinos quando não são — mas isso é assunto pra outra coluna). A maioria de nós é Mestiça: dois canais na família, uma cor que podia ter sido outra.
E o Branco? O Branco é os três canais acesos. Ninguém tem os três de nascença — porque nenhum casal os tem. Ninguém nasce Branco. O Branco se alcança. Ou não se alcança. A Luz de Estérnia prefere a segunda frase.
Agora a pergunta que a coluna existe pra fazer: e quando nasce alguém com um canal que nenhum dos dois pais tem?
O Sistema diz que isso não acontece.
Os Arquivos de Mercúrio guardam o número de vezes em que aconteceu. Não é zero.
— Axion Kaede, Fresta no Chão · O Fuxico